A todas as mulheres que entregaram mais do que era pedido e receberam menos do que mereciam.
A todas que ajustaram o tom, a postura, o tamanho da voz, para caber num espaço que nunca foi desenhado para elas.
A todas que internalizaram a dúvida como se fosse sua.
Eu conheço esse lugar. Passei 25 anos dentro desse sistema. E fui parte dessa estrutura também.
Vi de perto como ela funciona. Como seleciona, classifica e enquadra.
Como convence mulheres competentes de que o problema é delas.
O ambiente corporativo foi construído sobre um modelo que não nos inclui e torna mulheres inadequadas constantemente.
Mulheres que falam com firmeza são difíceis.
As que falam com suavidade não são levadas a sério.
Não existe posição certa. O sistema foi feito assim.
Ouvi mulheres líderes contarem, em vozes diferentes, a mesma história. A insegurança que carregam tem endereço certo: um ambiente que desqualifica de forma sistemática e chama isso de inadequação individual.
Nomear é o primeiro ato. Foi esse entendimento que me trouxe até aqui.
Escolhi estar aqui para apoiar mulheres a liderar sabendo o que é delas e o que é do sistema.
Para que possam ocupar o espaço com clareza.
Com segurança. Sem pedir licença.
Porque o que está em jogo não é só carreira.
É quem essas mulheres podem ser.
E isso, nenhum sistema deveria ter o poder de definir.
Lygia Imbelloni